
Numa tarde de verão estava sozinha na casa dos meus avós, mais precisamente no sotão, onde estava toda a tralha que a minha mãe queria manter intacta, não percebia até àquele preciso momento porque razão aquilo ainda estaria ali, mas dentro de uma caixa de cartão toda aberta e destruída encontrei um diário, ao que parecia da minha avó onde, por acaso caiu de dentro das suas folhas uma pequena fotografia, que mostro mais acima deste texto.Naquela encontrava-se três crianças, que pareciam amigas e unidas. Comecei a folhear aquele diário,e depois de passar com os olhos pelas páginas apercebi-me que não era um diário mas sim um simples livro onde contava uma história:
"Estávamos em plena tarde de Verão, no dia 31 de Agosto de 1933,nas festas da cidade, quando nós os 3 fomos bombardeados com notícias que nos mudaram a nossa vida definitivamente, eu vou emigrar para França, parece que com os problemas financeiros que a minha família enfrenta temos de sair do país, a Isabel, ao que parecia, estava muito contente com a sua notícia, ia participar num bailado americano, aqueles todos pimposos, com aqueles vestidos tipo princesinha e etc.,isto para mim foi surpreendente, mas o António ficou em estado de choque, disse desde quando é que ela participava nesse tipo de coisas, já que jogava comigo e com ele na equipa de futebol da cidade, ficámos chateados uns com os outros principalmente a Isabel, que se sentia magoada e traída pelos seus amigos. Eu no fundo estava era triste de me ir embora, sair da minha cidade,deixar de estar com os meus amigos e tudo o que a emigração para França provocava. Semanas mais tarde, estava eu e o António num banco do jardim quando vimos a Isabel a ir de encontro a nós com um olhar de esperança de reconciliação. Disse-nos logo que perdoaria o que lhe dissemos se prometessemos não comentar mais sobre o assunto, já que havia uma contagem decrescente da minha ida para França. As opiniões deles sobre isso nunca foram muito claras, diziam que isso era muito chato e que tinham pena. (...)Faltam 2 semanas para ir embora, e estamos outra vez chateados mas desta vez é mesmo a sério, a Isabel descobriu que o António andava por maus caminhos, que o conduziam a drogas e alcóol. Infelizmente encontrou-o com a Matilde, embriagados, a fumar uns cigarros, ao pé da cerca do seu terreno, ficou inconsolável. Ficou bastante desiludida, não só pela acção que ele tinha cometido mas sim por estar coma Matilde, porque, há muito que se sabe que a Isabel tem um fraco pelo o António, que infelizmente existe e que eu não me importava que acontecesse comigo. (...) Está um da frio lá fora, o que não é habitual nesta estação, hoje é o dia do bailado da Isabel, o dia em que vou embora de Portugal e o dia em que é o funeral do António, o António morreu foi atropelado mesmo na minha rua no dia 17 de Setembro de 1933, estava embriagado e com os novos amigos dele. Vou agora há igreja, é a missa do corpo presente, vou-lhe dizer adeus,a Isabel acabou de passar por lá na sua limusina, não lhe consegui ver a sua expressão pelo vidro, mas a sua mãe disse há minha que só deitou uma lágrima, como tivesse secado, fiquei arrepiado a ouvir aquilo do outro lado da porta, sinto-me triste e isolado."
Há mais uma frase escrita no fim da última página daquele caderno: " Quero deixar o meu pequeno caderno há Isabel Teresa Ferreira Sampaio e Silva, pois é a única que saberá realmente o que fazer com ele, a ela peço perdão por tudo o que lhe disse e só quero dizer que a amo do fundo do meu coração. Aqui estão escritas as palavras que nunca te direi, assinado por Manuel Luís Azevedo de Andrade."
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Está lindo @
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